Investigação do Procon sobre Preços da Gasolina
O Procon, órgão estadual voltado à proteção do consumidor, iniciou uma investigação para verificar se os postos de combustíveis em Santa Catarina estão realmente repassando aos consumidores os descontos recentemente anunciados pela Petrobras. Apesar do otimismo em relação à redução dos preços, representantes do setor informam que a diminuição divulgada pela estatal pode não se refletir em uma queda significativa nos preços nas bombas devido à composição da gasolina.
Conforme afirmou o Procon, a ação foi desencadeada após um aumento nas queixas de consumidores que relataram a ausência dos descontos prometidos pela Petrobras nos postos do estado. Na terça-feira (4), 128 estabelecimentos foram notificados a apresentar notas fiscais de compra e venda de gasolina comum e aditivada referentes aos períodos entre 17 a 27 de janeiro e fevereiro. As empresas têm prazo até o dia 10 de março para enviar as informações requeridas pela entidade.
A Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço de venda da gasolina A para distribuidoras, equivalente a uma diminuição de R$ 0,14 por litro. Contudo, os preços do diesel permaneceram inalterados.
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Fonte: curitibainforma.com.br
Explicações do Setor sobre a Não Aplicação dos Descontos
Cesar Ferreira, secretário executivo do Sincombustíveis, que representa o comércio varejista de derivados de petróleo no litoral catarinense, elucida que a gasolina vendida nas bombas é composta por cerca de 70% de gasolina e 30% de álcool anidro. Essa mistura é regulamentada para aumentar a octanagem do combustível, o que significa maior resistência à compressão e calor no motor, além de contribuir para a redução de poluentes.
Atualmente, o percentual de álcool anidro no combustível obrigatório aumentou de 27% para 30% com a nova Lei do Combustível do Futuro, válida até agosto de 2025. Ferreira ressalta que esse incremento encarece o produto. “Estamos falando de um terço de álcool anidro na gasolina, e neste momento estamos na entressafra do álcool”, destacou.
A entressafra, mencionada por Ferreira, ocorre entre janeiro e março e pode se estender até o início da nova safra de cana-de-açúcar, que geralmente se inicia em 1º de abril. Durante esse período, a produção nas usinas diminui consideravelmente, impactando diretamente no preço do combustível.
“O que acontece? A Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,14, mas essa diminuição se aplica apenas a 70% do litro. Não é uma redução de R$ 0,14 em todo o litro. Ao considerarmos toda a cadeia, desde a Petrobras até as distribuidoras, incluindo todos os impostos, isso acaba não se refletindo”, enfatizou Ferreira.
Ele ainda observou que muitos consumidores que costumam abastecer em determinados postos podem se deparar com uma leve redução, mas isso não representa a realidade do mercado. “Se uma pessoa abastece um litro de gasolina a R$ 6, a redução de R$ 0,14 não significará que agora custará R$ 5,86, isso é irreal”, completou.
Além disso, Ferreira destacou que o preço do litro do álcool anidro subiu 30 centavos nos últimos meses, agravando a situação. “Essa conta não está fechando. Onde estão os R$ 0,14 que o empresário não conseguiu repassar? Na verdade, ele acaba absorvendo o aumento do álcool anidro”, concluiu.
Preocupações com Aumento de Preços
O presidente do Sinpeb, Júlio Cesar Zimmermann, corrobora a perspectiva apresentada pelo Sincombustíveis e alerta que os preços dos combustíveis podem sofrer novas elevações devido à instabilidade internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio. “Hoje (4/3), a gasolina teve um aumento de R$ 0,05 e o diesel de R$ 0,20 por litro. Como o revendedor pode repassar isso? Por enquanto, eles estão segurando. Mas não sabemos por quanto tempo conseguirão manter isso, especialmente sem uma solução pacífica para o conflito”, concluiu.
