Crescimento dos Casos de Meningite em Santa Catarina
A morte de um bebê de apenas seis meses devido à meningite bacteriana gerou um forte alerta sobre o aumento dos casos da doença em Santa Catarina. Entre janeiro e março de 2026, o estado registrou 95 ocorrências de meningite, somando oito mortes, incluindo o trágico caso do menino de Papanduva, falecido na última terça-feira (28).
Nos últimos anos, Santa Catarina tem enfrentado um crescimento significativo no número de casos de meningite, com raras exceções durante os períodos de pandemia. Segundo a médica infectologista Sabrina Sabino, as restrições sociais aplicadas durante esse período contribuíram para a redução de doenças infectocontagiosas, exceto as respiratórias. Após esse intervalo, houve um pico alarmante de casos.
Os dados revelam que em 2021, foram notificados 358 casos de meningite. Em 2022, esse número subiu para 573, resultando em 48 mortes. O ano de 2023 foi o mais crítico, com um total de 993 casos e 72 óbitos. Embora os registros tenham caído em 2024, com 762 casos, as mortes continuaram em um número elevado, com 66 confirmações. O ano de 2025, por sua vez, destacou-se pela letalidade da doença, com uma taxa de 9,7%: 651 casos e 63 óbitos.
Dados Alarmantes e Sorotipos Agressivos
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Nos primeiros três meses de 2026, houve 126 casos confirmados, resultando em oito mortes. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) apontou que, embora o número de casos esteja relativamente estável, estão circulando sorotipos mais agressivos, como os tipos W e Y da meningite meningocócica, que apresentam uma maior letalidade.
O maior índice de casos de meningite foi observado em crianças de 0 a 4 anos, com uma taxa de 6,0 casos por 100 mil habitantes, representando 29,5% do total de casos notificados. Apesar de a faixa etária entre 20 a 64 anos evidenciar a maior proporção de casos (49,5%), a taxa de incidência nesse grupo foi significativamente menor, apenas 0,96 casos por 100 mil habitantes. Nas pessoas acima de 80 anos, apenas dois casos foram registrados, totalizando uma taxa de 1,4 por 100 mil habitantes.
A maior taxa de letalidade foi observada entre indivíduos de 50 a 79 anos, onde 75% dos casos resultaram em óbito. A Dive esclareceu que não há indícios de surto, mas a situação é preocupante.
Joinville e a Situação da Vacinação
Joinville, a cidade mais populosa de Santa Catarina, é a que apresenta o maior número de casos confirmados em 2026, com 18 ocorrências e uma morte. Outras 43 cidades também registraram casos, mas apenas sete, incluindo Antônio Carlos, Bombinhas e Itajaí, tiveram óbitos associados.
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O caso do bebê que faleceu não está contabilizado nos dados da Dive, pois ocorreu em abril de 2026. De acordo com a Secretaria Municipal de saúde de Papanduva, a criança havia recebido apenas uma dose da vacina meningocócica, e a segunda dose estava em atraso. O Ministério da Saúde revelou que a cobertura vacinal em Papanduva entre crianças menores de um ano é de 87,18%, abaixo da meta recomendada de 95%. O índice entre crianças de um ano, que recebem a dose de reforço, é de 102,56%, o que está dentro do esperado.
Em Santa Catarina, a cobertura da primeira dose é de 100,34%, enquanto a segunda dose atinge 95,26%, ambos dentro dos padrões ideais. É fundamental que as vacinas sejam administradas nos períodos corretos para garantir a proteção adequada das crianças, conforme enfatiza a médica infectologista.
A Importância da Vacinação e Recomendações
A discussão sobre vacinação tem enfrentado retrocessos, e é fundamental que a imunização, especialmente na infância, seja uma prioridade. O Brasil é considerado um exemplo positivo em vacinação, com o Sistema Único de Saúde (SUS) oferecendo vacinas gratuitamente, mas é essencial que a população reconheça a importância dessa proteção.
No último ano, o calendário de vacinação contra a meningite foi atualizado, permitindo que os bebês recebam a vacina aos três e cinco meses de idade. Ao completar um ano, eles devem ser imunizados com a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y. Para jovens entre 11 e 14 anos, é recomendada uma dose de reforço da meningocócica C ou uma dose única da ACWY.
Compreendendo a Meningite
A meningite é uma condição caracterizada pela inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Essa doença pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, parasitas ou até mesmo fatores não infecciosos. A transmissão geralmente ocorre por meio de secreções respiratórias, e os sintomas incluem febre, vômitos, dor de cabeça e rigidez na nuca. É vital que, ao perceber os sintomas, a pessoa procure atendimento médico imediatamente, pois a evolução da doença é rápida e pode resultar em sérias complicações.
A enfermeira Gisele Barreto, da Dive, destaca que a gravidade da meningite varia conforme o agente causador. As bacterianas apresentam um prognóstico mais preocupante em comparação às virais. Além disso, os sintomas podem se manifestar de maneira diferente conforme a idade do paciente. Em crianças e adultos mais velhos, os sinais são mais evidentes, enquanto em crianças pequenas, os sintomas podem ser menos específicos.
Recentemente, o caso do bebê de seis meses que faleceu após ser diagnosticado com meningite bacteriana exemplifica a urgência em relação à vacinação e à atenção médica. O menino foi transferido para um hospital em Joinville, mas, infelizmente, não sobreviveu.
