Renúncia em meio à crise financeira
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise bancária que abalou o país. Peña, que enfrentava um processo de impeachment impulsionado tanto por opositores quanto por membros de sua base governista, viu seu isolamento político aumentar diante das acusações de conivência com a falência do banco digital Ueno. O banco bloqueou as contas de milhares de correntistas, e Peña foi acionista da instituição até março do ano passado.
Em vídeo divulgado após o anúncio, Peña pediu desculpas à população afetada pela perda de acesso aos seus recursos financeiros e justificou sua saída como uma medida necessária para garantir a estabilidade do Paraguai, a paz social e a preservação das instituições democráticas. “Nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, afirmou o presidente, ressaltando que nunca teve a intenção de decepcionar a confiança depositada nele.
Impactos políticos e sucessão
Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país. Alliana também enfrentava um pedido de impeachment, mas a Câmara dos Deputados rejeitou a solicitação. Na manhã desta quinta-feira, o Congresso havia iniciado uma sessão extraordinária para discutir o processo contra Peña, com todas as bancadas da Câmara anunciando apoio ao impedimento.
A crise política se intensificou após Horácio Cortes, atual presidente do Partido Colorado, sigla de Peña, retirar o apoio ao governo, tornando ainda mais evidente a fragilidade do presidente. Cortes, considerado mentor político de Peña, e Basilio Núñez, presidente do Congresso e também do Partido Colorado, foram peças-chave nesse movimento.
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Contexto econômico e acusações
Santiago Peña, economista de formação e aliado dos Estados Unidos, assumiu a presidência do Paraguai em 2023 com mandato previsto até 2028. A crise desencadeada pelo fechamento do banco digital Ueno, que atendia cerca de 3 milhões de clientes e detinha aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, foi o estopim para sua queda.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Também aponta que o Banco Central do Paraguai teria encoberto irregularidades relacionadas à liquidação do Ueno. Deputados de oposição destacaram o impacto da crise, afirmando que o presidente foi responsável por prejudicar milhões de paraguaios.
O banco digital, pertencente ao Grupo Vázquez, fechou as portas após o Banco Central iniciar sua liquidação, identificando insuficiência de recursos para cobrir empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição. Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após mandados de prisão emitidos pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco, além de bloquear bens dos envolvidos.
Medidas e desdobramentos
Peña divulgou nas redes sociais que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções, e sancionou uma lei que facilitará a recuperação dos valores bloqueados para os clientes do banco. Ele apelou aos setores políticos para que priorizem os interesses dos poupadores.
Na sequência da crise, relatos de falhas em aplicativos de outras instituições financeiras aumentaram a apreensão sobre o sistema bancário paraguaio. A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que os bancos trabalham para atender o grande volume de transferências de clientes que deixaram o Ueno, assegurando que o sistema segue operando normalmente.
Próximos passos no cenário político
A saída de Santiago Peña marca uma mudança significativa no panorama político paraguaio, abrindo espaço para que Pedro Alliana conduza o país em meio à instabilidade financeira e institucional. A rejeição do impeachment contra Alliana ainda mantém uma tensão latente no Executivo, enquanto o Congresso e a sociedade acompanham os desdobramentos da crise bancária que impacta diretamente milhões de cidadãos.
