Uma Aula Transformadora na Década de 80
Numa tarde amena de outono, em um ambiente acadêmico típico da década de 1980, um professor de Bioquímica provocou uma reflexão profunda entre seus alunos. Ele questionou se éramos capazes de carregar em nossos corpos partículas de figuras históricas, como Alexandre o Grande. A proposta gerou uma onda de perplexidade e curiosidade entre os jovens estudantes. O professor, ciente do impacto de suas palavras, observou atentamente as reações de seus alunos, que, atônitos, tentavam compreender a complexidade da questão apresentada.
Após um breve momento de contemplação, o professor se dirigiu ao quadro negro para esclarecer o enigma bioquímico e existencial que havia lançado. Com uma voz firme e clara, ele retomou a famosa frase de Lavoisier: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Essa citação deixou os alunos em total perplexidade. Qual seria a conexão entre as partículas de um grande conquistador e a teoria da conservação da massa?
A Bioquímica como Fenômeno da Vida
Leia também: Como a Educação Permanente Transforma Profissionais do SUS e Melhora a Saúde Pública
Fonte: parabelem.com.br
Leia também: Goiás Recebe Selo Máximo de Qualidade em Laboratórios Públicos: Um Marco na Saúde
Fonte: ocuiaba.com.br
O professor, com sua habilidade didática, começou a explicar essa grande questão existencial. Ele não tinha a intenção de desafiar dogmas religiosos, mas sim de nos guiar através dos mistérios da vida sob a ótica da Bioquímica. Com o passar dos anos e muitas reflexões, percebi que aquela aula se destacou como um dos momentos mais significativos de minha formação acadêmica. O professor conseguia, através de seu conhecimento, nos inserir como parte dos complexos fenômenos das ciências naturais.
Embora não soubesse sobre o debate entre Heráclito de Éfeso e Parmênides, ele dominava tanto o conteúdo quanto a forma de nos fazer avançar no conhecimento. Com suas explicações, o professor não apenas esclareceu questões científicas, mas também nos ofereceu respostas para dilemas existenciais. A sua certeza de que sempre era possível atravessar as dificuldades da vida ressoava profundamente em cada um de nós.
Partículas do Passado em Nós
O fascinante conceito de que absorvemos partículas do passado nos nossos corpos, um processo mediado pela Bioquímica, nos leva a refletir sobre a vida e suas interconexões. As figuras históricas, como Mussolini ou Hitler, não tinham relevância para a minha vida psíquica, pois compreendi que meu corpo é um campo de reações físicas e químicas, muito além das sombrias sombras do passado.
Com o espírito de Heráclito, me engajei no Movimento Estudantil, sonhando com um mundo de igualdade. Meu entusiasmo pela formação autodidata levou-me a me afastar temporariamente das obrigações acadêmicas. A preocupação de uma professora, ao notar minha ausência, refletiu a seriedade que eu ainda não percebia em minhas escolhas. Após constatá-la, voltei à sala de aula, decidido a valorizar cada aprendizado, e fiz o que pude para não desapontá-la.
O Papel Transformador da Educação
O impacto dessa sábia professora em minha trajetória foi inegável. Trabalhei com ela em seu laboratório de Química Analítica e, finalmente, obtive um desempenho que me permitiu resgatar o tempo perdido. A Bioquímica tornou-se não apenas uma disciplina, mas a essência da vida humana em meu entendimento. Hoje, ao refletir sobre aquela tarde morna, percebo que, se não tivesse ouvido os sábios conselhos de minha professora, poderia estar em um caminho muito diferente.
O professor quis transmitir que, independentemente da forma que assumimos, seja como humanos, animais ou plantas, nosso destino é a transformação. As interações com a natureza são essenciais para a continuidade da vida e a pergunta que fica é: onde os fragmentos da nossa existência irão parar? Assim como as águas que fluem, a vida é uma constante troca de substâncias e experiências.
A fluidez do rio, como metáfora de Heráclito, nos lembra que as decisões individuais moldam o nosso destino. A Bioquímica nos apresenta verdades que não se impõem como absolutos, mas nos oferecem uma perspectiva do nosso lugar na história da vida. Convivi muitos anos na UFSM ao lado de um grande mestre que, com sua sabedoria, nos ensinou a importância do conteúdo e da forma, e como esses elementos se entrelaçam na essência da vida.
