Repercussões do Falecimento de Luiz Henrique
Em 10 de maio de 2015, há exatos 11 anos, o senador Luiz Henrique da Silveira (MDB) celebrava o Dia das Mães em sua residência no Bairro Boa Vista, quando sofreu um infarto fulminante. Essa tragédia não apenas interrompeu seus planos de retornar à Casa da Agronômica três anos depois, mas também alterou de maneira significativa o cenário político em Santa Catarina. Luiz Henrique, que tinha como prazo de término seu mandato de senador em 2018, se via diante de um dilema: permanecer em Brasília por mais oito anos ou voltar a concorrer ao governo do Estado. Aqueles que o conheceram estavam certos de que ele optaria por voltar a Florianópolis aos 78 anos.
Ambições Políticas e Projetos Secretos
No início de 2015, Luiz Henrique, em seu gabinete em Brasília, solicitou ao seu assessor de comunicação, José Gayoso Neves, um levantamento de suas principais realizações durante os dois mandatos como governador, entre 2003 e 2010. “Ele provavelmente já tinha a intenção de se candidatar novamente, embora nunca tenha mencionado isso abertamente”, relembra o jornalista que o acompanhou desde a campanha de 2002. Um amigo próximo também recorda que, mesmo após ter contundido o tornozelo direito, Luiz Henrique não hesitou em viajar dias depois para um município distante, evidenciando sua determinação.
Transformações no Cenário Político
A possível pré-candidatura de Luiz Henrique certamente não teria causado a divisão na “tríplice aliança” (MDB, PSD e PSDB), que ocorreria em 2018. Naquele ano, o PSD, com Gelson Merísio como candidato a governador, uniu Raimundo Colombo (PSD) e Esperidião Amin (PP) como candidatos ao Senado dentro da mesma coligação. Vale destacar que Colombo teve como suplente Jair Bellini do PP. Mauro Mariani (MDB) saiu derrotado nas eleições, mas conseguiu eleger Jorginho Mello (PR) para uma das vagas ao Senado. Em 2018, o principal adversário de Luiz Henrique certamente seria o fenômeno Jair Bolsonaro em Santa Catarina.
Lucas Esmeraldino e a Eleição de 2018
O foco das eleições de 2018 estava no candidato ao Senado Lucas Esmeraldino, vereador reeleito de Tubarão pelo PSDB, que sonhava em ser senador. O PSL o apoiou em busca de uma das vagas na coligação de Gelson Merísio, mas a estratégia não funcionou, pois Esmeraldino já estava alinhado com Amin e Colombo. A astúcia política de Luiz Henrique, moldada pela convivência em Brasília, o levaria a perceber, com antecedência, a “onda” Bolsonaro, que mais tarde resultaria na eleição do presidente e de Carlos Moisés como governador. Durante seu tempo no cargo, seu relacionamento com o PT de Haddad em Joinville e em todo o Estado foi sempre protocolar.
A Governadoria e a Oportunidade Perdida
O registro histórico apontará que Gelson Merísio não conseguiu se tornar governador, em parte, porque não cedeu uma das vagas ao Senado para Lucas Esmeraldino. Se tivesse feito essa concessão, Carlos Moisés, um nome até então desconhecido que era assessor de Esmeraldino na Câmara Municipal de Tubarão, não teria surgido como candidato. “Conheci Moisés quando Esmeraldino o apresentou a mim como seu assessor na Câmara”, lembrou o ex-deputado estadual Kennedy Nunes.
De Assessor a Governador em Oito Meses
Lucas Esmeraldino foi o vereador mais votado de Tubarão em 2012, com 2.346 votos, e obteve 1.958 votos em 2016, sempre pelo PSDB. Ao assumir a presidência do PSL, não planejava se candidatar a governador, mas sim a uma das vagas ao Senado. Após não encontrar apoio nas principais coligações, decidiu concorrer, mas precisaria de um candidato a governador, optando por seu funcionário, um coronel aposentado do Corpo de Bombeiros.
O Fenômeno em Joinville
No primeiro turno das eleições de 2018 em Joinville, Carlos Moisés recebeu 112.825 votos para governador, enquanto Gelson Merísio conquistou 76.631. E mesmo com Ivete Appel da Silveira, viúva de Luiz Henrique, como suplente, Jorginho Mello (que foi eleito) perdeu em Joinville para Lucas Esmeraldino, que obteve 132.139 votos, contra 93.714 de Mello. A possibilidade de Luiz Henrique ter disputado a eleição para governador teria mudado completamente a história política de Santa Catarina.
