Avanços no Megaprojeto de Data Centers
O projeto de construção de uma cidade dedicada a data centers em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, está em uma fase crucial. A empresa Scala está prestes a concluir seu plano de negócios e iniciar o licenciamento necessário para dar vida a essa iniciativa. A primeira fase do projeto representa um investimento inicial de R$ 3 bilhões, mas a expectativa é de que os investimentos aumentem significativamente, caso o projeto evolua para transformar a região em um polo de data centers de grandes dimensões, estimando-se um total de até US$ 300 bilhões em aportes ao longo do tempo.
Luciano Fialho, vice-presidente da Scala, compartilhou detalhes sobre o andamento do projeto durante uma entrevista ao podcast Nossa Economia, do GZH. Ele destacou que a empresa está cumprindo o cronograma e entrando na fase de licenciamento, com a intenção de protocolar o ‘masterplan’ na próxima semana. Esse plano abrange diversos aspectos, como o projeto urbanístico, construção dos prédios, iluminação e fornecimento de água, em uma área extensa que exigirá rigorosos estudos de impacto ambiental e viário antes da execução.
Adaptações e Desafios do Projeto
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Uma das questões levantadas foi se o projeto sofreu adaptações devido às recentes enchentes na região. Segundo Fialho, não houve necessidade de mudanças, uma vez que todo o planejamento foi elaborada no segundo semestre de 2023, após uma pesquisa detalhada em todo o país para identificar locais com grande disponibilidade de energia. A subestação Guaíba 3 foi escolhida em função dessa necessidade. Ele também confirmou que a Scala adquiriu os terrenos e, ao longo de 2025, a empresa buscará autorização do Ministério de Minas e Energia para explorar 5 gigawatts de energia.
O cronograma das obras é meticuloso, com cada ano reservado para um etapa específica do projeto. Inicialmente, a intenção era obter a licença em 2026, mas o ritmo da obra pode ser acelerado dependendo da demanda por processamento na região.
Fontes de Energia e Sustentabilidade
Quando questionado sobre a energia a ser utilizada, Fialho afirmou que o plano inclui a contratação de energia renovável, ressaltando que o sistema elétrico brasileiro é interconectado. Isso significa que a Scala pode adquirir energia renovável de qualquer parte do país e integrá-la ao seu projeto.
Outro ponto importante discutido foi o uso consciente da água. O vice-presidente da Scala revelou que a utilização de água nos data centers é minimizada, de acordo com uma métrica chamada WUE (Water Usage Effectiveness). O sistema implementado pela Scala é fechado, permitindo que a empresa utilize água apenas uma vez em todos os seus data centers na América Latina, sem necessidade de reposição.
Impactos Econômicos e Empregos
O investimento inicial de R$ 3 bilhões na primeira fase inclui a urbanização da área, construção de infraestrutura necessária e doações de parte da área aos municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas, além de doações ao Estado. Fialho destacou que, se todo o espaço for utilizado para processar inteligência artificial por uma década, os investimentos poderiam alcançar valores impressionantes de até US$ 300 bilhões. O custo elevado se deve à tecnologia sofisticada presente nos prédios, que inclui sistemas avançados de refrigeração e backup de energia.
A criação de empregos é uma das promessas do projeto. Segundo Fialho, cada R$ 1 milhão investido em data centers gera aproximadamente 7,5 empregos diretos e indiretos, abrangendo diversas áreas, como eletrônica, elétrica, mecânica e hidráulica.
Expectativas Futuras e Competitividade do Brasil
A abertura da primeira fase do projeto está prevista para o início de 2027, com operações iniciando em 2028. Porém, Fialho alertou que, caso a demanda por processamento de dados aumente consideravelmente, a Scala poderá acelerar as obras. “O gargalo não será a licença nem a energia, mas sim a entrega de equipamentos”, afirmou.
Fialho também discutiu o que poderia posicionar o Brasil como um líder no setor. Ele mencionou três fatores: a necessidade de competitividade em tributações e políticas públicas, além da manutenção do preço da energia. Atualmente, cerca de 60% dos dados processados no Brasil são feitos fora do país, e a Scala busca trazer esse volume para o território nacional.
