Revogação da Portaria Mantém Tradição da Linguiça Blumenau
No último dia 5 de junho, o governo de Santa Catarina revogou a portaria que alterava a receita oficial da Linguiça Blumenau, mantendo o limite de gordura do embutido em 42%, conforme tradicionalmente estabelecido. A mudança recente havia reduzido esse teto para 30%, gerando reação imediata dos produtores locais e parlamentares, que defenderam a manutenção da receita original.
A Portaria SAPE nº 24/2026 anulou a alteração apresentada em 8 de maio, com efeito retroativo, após um mês de debates intensos no Vale do Itajaí, Brasília e Florianópolis. A justificativa oficial para a revogação foi a ausência de estudos de impacto, como exige a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). Assim, a gordura voltou ao patamar de 42%, respeitando a tradição do produto.
Receita Tradicional com Reconhecimento Oficial
A receita oficial da Linguiça Blumenau está definida na Portaria SAR nº 23/2020, que regula os ingredientes e processos que caracterizam o embutido. A tentativa de reduzir a gordura baseou-se na tabela federal para linguiças dessecadas, prevista na Instrução Normativa SDA nº 4/2000 do Ministério da Agricultura, que estabelece 30% como limite máximo de gordura para essa categoria.
Porém, essa regra geral não se aplica à Linguiça Blumenau, um produto curado, maturado e cremoso, com mais de cem anos de história entre os imigrantes alemães do Vale do Itajaí. O embutido utiliza cortes específicos da carne suína, como paleta, pernil, lombo e sobrepaleta, além de toucinho sem pele, alho, sal e pimenta-do-reino, tudo envolvido por tripa natural e defumado exclusivamente com fumaça natural, característica que diferencia o produto.
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Importância Cultural e Industrial para Santa Catarina
Além do valor gastronômico, a Linguiça Blumenau recebeu em fevereiro de 2024 o registro de Indicação Geográfica pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), abrangendo 16 municípios catarinenses, incluindo Blumenau, Pomerode, Rio do Sul e Ibirama. Em junho deste ano, a legislação estadual nº 18.924 reconheceu o embutido como Patrimônio Cultural de Santa Catarina.
Esses reconhecimentos fortaleceram a mobilização contra a alteração da receita. A alteração soou como uma tentativa de modificar um documento registrado e protegido, o que levou o deputado Napoleão Bernardes a solicitar a sustação da portaria na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). No Senado, o senador Hermes Klann cobrou explicações ao Ministério da Agricultura, que não apresentou estudos técnicos que justificassem a redução da gordura.
Impacto na Qualidade e Sabor do Produto
Na prática, a mudança do percentual de gordura teria impacto direto no sabor e na textura da Linguiça Blumenau. A gordura é fundamental para carregar os temperos, como o alho e a fumaça, além de garantir que a linguiça doure sem ressecar quando preparada. Uma redução para 30% deixaria o embutido seco e sem a cremosidade característica, prejudicando sua identidade gastronômica.
A Linguiça Blumenau continua maturando mesmo após embalada, alterando seus valores nutricionais ao longo do tempo devido à perda de umidade e concentração de sabor. Essa particularidade reforça a importância de manter a receita tradicional, que valoriza o processo artesanal e o legado cultural do produto.
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Perspectivas e Desdobramentos Futuros
Por enquanto, a vitória é restrita ao âmbito estadual. A norma federal para linguiças dessecadas ainda vigora, mantendo o limite de 30% de gordura para a categoria geral. Até 11 de junho, não havia manifestação oficial do Ministério da Agricultura ou do INPI sobre o tema. Os produtores já sinalizam intenção de buscar uma solução definitiva em Brasília, enquanto a receita histórica permanece protegida no estado.
Versatilidade da Linguiça Blumenau na Gastronomia Regional
Com seu sabor marcante e personalidade única, a Linguiça Blumenau é protagonista em diversas receitas tradicionais. No Sul do Brasil, é destaque em risotos, frequentemente combinada com alho-poró ou queijo brie, além de ser base para molhos ricos e encorpados em massas e ragus. Também é consumida em aperitivos e lanches, servida fatiada, aquecida na chapa ou derretida em sanduíches e porções de polenta frita.
Essa versatilidade reforça o valor cultural e culinário da Linguiça Blumenau, que segue protegida como patrimônio regional, celebrando uma tradição centenária que representa parte importante da identidade do Vale do Itajaí e de Santa Catarina.
