Avanço da sífilis em Brusque preocupa autoridades de saúde
Brusque enfrenta um aumento significativo nos casos de sífilis, o que tem despertado alerta entre os profissionais da saúde local. Desde 2021, o município registrou 1.364 casos de sífilis adquirida, 244 casos em gestantes e 33 casos de sífilis congênita, que ocorre quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação.
Em entrevista no Rádio Revista Cidade, a coordenadora do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), Gisele Pruner Koguchi, e a enfermeira Thaise Cunha, da Secretaria Municipal de Saúde, reforçaram a gravidade da situação. O avanço da doença já foi associado a pelo menos três abortos na cidade, aumentando a preocupação dos profissionais.
Transmissão silenciosa e riscos para a gestante e o bebê
Apesar de ser uma infecção antiga e contar com diagnóstico rápido e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a sífilis continua crescendo em todo o Brasil. “A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível e muitas vezes silenciosa. A pessoa pode estar contaminada sem apresentar sintomas e acabar transmitindo para outras pessoas sem saber”, explicou Gisele.
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A transmissão acontece principalmente por meio de relações sexuais sem proteção, incluindo vaginal, anal e oral. Além disso, a doença pode ser passada da mãe para o bebê durante a gravidez, o que pode provocar aborto, parto prematuro, má-formação, cegueira e até a morte fetal.
Desafios no tratamento e prevenção da sífilis
Um dos principais desafios apontados é garantir o tratamento completo da gestante e do parceiro. “Se o parceiro não realiza o tratamento, a gestante pode ser reinfectada. Por isso é fundamental que ambos façam os exames e sigam corretamente o tratamento”, destacou Thaise Cunha.
A faixa etária mais atingida pela doença está entre jovens de 15 a 39 anos, embora também haja casos entre idosos. Muitas pessoas só buscam atendimento quando a doença já se encontra em estágio avançado, o que aumenta o risco de atingir órgãos como coração e cérebro.
Tratamento acessível e ações de prevenção em Brusque
O tratamento da sífilis é disponibilizado gratuitamente nas unidades de saúde por meio da aplicação de penicilina benzatina (Benzetacil). Além disso, testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites estão disponíveis em toda a rede pública do município.
Durante a entrevista, as profissionais reforçaram a importância do uso de preservativos, da realização periódica de exames e da superação de tabus relacionados à educação sexual. “A informação existe, mas ainda há vergonha, medo e resistência em procurar atendimento. Precisamos conscientizar principalmente os jovens sobre os riscos das ISTs”, afirmou Gisele.
A Secretaria de Saúde continua promovendo ações de orientação, distribuição de preservativos e oferta de testes rápidos em unidades de saúde, empresas e eventos comunitários, com o objetivo de ampliar o acesso da população ao diagnóstico precoce e à prevenção da sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis.
