O aumento alarmante dos casos de meningite em Santa Catarina
A morte de um bebê de apenas seis meses, decorrente de meningite bacteriana, acendeu um alerta sobre o aumento da letalidade da doença em Santa Catarina. Entre janeiro e março deste ano, o estado registrou 95 casos de meningite, resultando em oito mortes, além do trágico falecimento do menino de Papanduva, ocorrido na última terça-feira (28).
Nos últimos anos, a incidência de meningite em Santa Catarina tem sido elevada, com uma pequena queda apenas logo após o pico da pandemia. De acordo com a médica infectologista Sabrina Sabino, a reclusão forçada durante os períodos mais críticos da Covid-19 resultou em uma diminuição geral nas doenças infectocontagiosas, exceto para as respiratórias. Porém, o cenário mudou rapidamente após a volta à normalidade.
Em 2021, o estado registrou 358 casos de meningite. Já em 2022, esse número subiu para 573, com 48 mortes. O ano de 2023 marcou o maior registro até agora, com 993 casos e 72 óbitos. Contudo, em 2024, observou-se uma diminuição nos registros, com 762 casos e 66 mortes. No entanto, 2025 apresentou a maior taxa de letalidade, de 9,7%, com 651 casos e 63 óbitos confirmados.
Somente nos primeiros três meses de 2025, foram notificados 126 casos, acompanhados de oito mortes. Entre janeiro e março de 2026, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) registrou 95 casos, mantendo o mesmo número de óbitos em relação ao período anterior, mostrando que, embora os casos possam estar estáveis, a gravidade está nas cepas circulantes.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
“Embora possamos observar uma estabilidade no número de casos, temos sorotipos mais agressivos em circulação, como os tipos W e Y da meningite meningocócica, que apresentam maior letalidade”, ressalta a médica.
Distribuição dos casos de meningite entre as idades
A taxa de incidência de meningite é mais alta entre crianças de zero a quatro anos, que somam 29,5% dos casos notificados em 2026. Essa faixa etária apresenta uma taxa de 6,0 casos por 100 mil habitantes. Por outro lado, a maior parte das ocorrências, 49,5%, foi observada nas idades de 20 a 64 anos, embora com uma taxa de incidência de apenas 0,96 por 100 mil habitantes, evidenciando um risco significativamente menor em comparação ao grupo mais jovem. Para aqueles com 80 anos ou mais, foram registrados apenas dois casos, com uma taxa de 1,4 por 100 mil habitantes.
A letalidade se revelou mais crítica entre as faixas etárias de 50 a 79 anos, que apresentou 75% dos casos fatais. A Dive aponta que os dados refletem uma estabilidade nas notificações, sem indícios de surto.
Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, tem se destacado com o maior número de casos confirmados em 2026, com 18 ocorrências e uma morte. Outras 43 cidades registraram casos, mas apenas sete confirmaram óbitos, incluindo municípios como Antônio Carlos, Bombinhas e Itajaí.
A relevância da vacinação
O trágico caso do bebê de seis meses ainda não está contabilizado nos dados oficiais, uma vez que ocorreu em abril de 2026. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Papanduva, o menino havia recebido apenas uma dose da vacina contra meningite, com a segunda pendente. Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal em Papanduva para crianças menores de um ano é de 87,18%, abaixo da meta ideal de 95%. Em contrapartida, entre crianças de um ano, que devem receber a dose de reforço, a cobertura chega a 102,56%.
Em Santa Catarina, a vacinação para a primeira dose alcança 100,34%, enquanto o reforço está em 95,26%. Esses dados são referentes às doses aplicadas até 1º de março de 2026. A médica infectologista destaca a importância de manter o calendário de vacinação em dia, enfatizando que o cumprimento dos prazos é crucial para a eficácia do sistema imunológico infantil.
Além disso, ela alerta para um retrocesso na discussão acerca da vacinação, enfatizando que a imunização infantil deve ser uma prioridade. “O Brasil é considerado um exemplo mundial em vacinação, com acesso gratuito a vacinas, e precisamos conscientizar a população sobre essa importância”, reforça.
Como se proteger da meningite
Recentemente, o Governo Federal atualizou o calendário de vacinação da meningocócica. As crianças devem receber a vacina aos 3 e 5 meses. Ao completarem um ano, passam a ser imunizadas com a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y. Entre 11 e 14 anos, é indicado um reforço da meningocócica C ou uma dose única da ACWY.
A meningite é uma infecção grave que provoca inflamação das meninges, estruturas que cercam o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por diversos agentes, incluindo vírus e bactérias, e é transmitida principalmente por secreções respiratórias. Sintomas como febre, vômito e confusão mental devem ser levados a sério, e um atendimento médico imediato é recomendado.
A gravidade da doença varia conforme o agente causador. Meningites virais têm um prognóstico mais positivo, enquanto as bacterianas apresentam maior letalidade e potencial para sequelas. Por conta disso, a busca por atendimento médico deve ser imediata diante dos primeiros sinais.
