O Impacto do Infrassom em Nossa Percepção
A ciência explica o desconforto sentido em locais que muitos consideram assombrados através do fenômeno conhecido como infrassom. Esta é uma categoria de ondas sonoras que possui frequência abaixo de 20 hertz, o que está além do alcance da audição humana. O infrassom é onipresente, sendo detectado em dutos de ventilação, sistemas mecânicos e até em situações naturais como tempestades e terremotos.
Para aprofundar a pesquisa sobre esses efeitos, o psicólogo Rodney Schmaltz, da Universidade MacEwan, no Canadá, e sua equipe realizaram um experimento com 36 participantes. Cada um foi acomodado em uma sala isolada e, durante cinco minutos, exposto a sonoridades distintas, que variavam de melodias relaxantes a sons consideradas perturbadores.
Os resultados foram reveladores e apontaram para uma clara conexão entre a exposição ao infrassom e emoções negativas. Aqueles que ouviram as frequências mais baixas relataram maior irritabilidade e descreveram a música como mais melancólica, demonstrando ainda menos interesse pelo que escutavam. Análises de amostras de saliva indicaram níveis elevados de cortisol – o hormônio relacionado ao estresse – nestes participantes, em comparação com o grupo de controle. Um detalhe intrigante é que nenhum dos participantes foi capaz de identificar a presença do infrassom.
A Influência da Percepção na Experiência Sensorial
Leia também: Incêndio em Loja das Casas Bahia em Feira de Santana Causa Desconforto e Preocupação
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Leia também: Camarote Criativo: Estruturas Inusitadas Para Assistir ao Show de Shakira em Copacabana
Fonte: diariofloripa.com.br
Outro ponto impressionante do estudo é que, mesmo acreditando que haviam ouvido infrassom, os participantes não mostraram alteração nos níveis de cortisol nem em seu estado emocional. A reação negativa parece ocorrer sem que a pessoa tenha consciência de sua origem.
Essa não é uma descoberta isolada. Pesquisas anteriores mencionam que o infrassom pode provocar efeitos como ansiedade e distúrbios do sono, embora os resultados tenham variado. A realização de medições de infrassom em ambientes controlados se provou desafiadora, como Schmaltz detalhou na publicação científica Nautilus.
Esses achados podem lançar luz sobre a sensação de desconforto em certos locais, especialmente em edifícios antigos, onde sistemas de canos e ventilação podem gerar vibrações de baixa frequência. Como pontua Schmaltz, ao entrar em um espaço repleto de infrassom, a pessoa pode sentir inquietação sem entender a razão. E, caso já tenha a noção de que o local é ‘assombrado’, essa agitação pode ser mal interpretada como algo paranormal.
Infrassom e Histórias de Fantasmas: Um Estudo de Caso Clássico
Leia também: Desafios do Emagrecimento na Menopausa: Entenda Como os Hormônios Influenciam
Fonte: reportersorocaba.com.br
O infrassom já foi protagonista em diversas narrativas sobre o inexplicável. Um caso notável ocorreu em 1988, quando o cientista Vic Tandy, que trabalhava em um laboratório considerado assombrado, começou a investigar os estranhos fenômenos relatados por seus colegas. Alguns funcionários afirmavam sentir-se desconfortáveis e uma faxineira saiu correndo de medo após avistar uma sombra.
O que despertou a curiosidade de Tandy foi a vibração de uma folha de alumínio em sua morsa. Após um aprofundamento na investigação, ele descobriu que o responsável por esse desconforto não era um fantasma, mas um exaustor de ar que emitia ondas sonoras de baixa frequência. Quando o equipamento foi desligado, todos os relatos de eventos estranhos cessaram.
“Imagine que você visita um prédio que é dito ser assombrado. Seu humor muda, você se sente inquieto, mas não observa nada de anômalo”, comentou Schmaltz. “Se você for informado que o local é assombrado, pode atribuir essa agitação a fatores sobrenaturais, quando, na realidade, pode ser apenas o resultado da exposição ao infrassom.”
Limitações e Caminhos Futuro na Pesquisa
Entretanto, a pesquisa não esgota o assunto. O aumento de cortisol observado não é necessariamente negativo, pois configura uma resposta natural do corpo a ameaças. O perigo reside na exposição prolongada, que pode impactar a saúde física e mental, conforme explicou Trevor Hamilton, coautor do estudo.
Vale ressaltar que o estudo apresenta limitações, como o pequeno número de participantes e a análise de uma única faixa de frequência. “Este foi, sem dúvida, um primeiro passo”, reconheceu Kale Scatterty, autor principal do artigo e doutorando na Universidade de Alberta.
Pesquisas futuras deverão abordar diversas frequências e amostras maiores. Se os padrões encontrados se confirmarem, as implicações podem repercutir na regulamentação do nível de ruído e no design de ambientes.
Enquanto isso, Schmaltz sugere que, na próxima vez que você se sentir desconfortável em um lugar estranho, considere que a causa pode estar relacionada às vibrações dos canos, e não a espíritos inquietos.
