Uma Luta pela Vida desde o Início
Antes mesmo de dar à luz, Chirlei Kohls já sentia uma conexão única com sua filha, Cecília, que surgiu em seus sonhos. Durante anos, ela vislumbrou uma menina pequena, de quatro ou cinco anos, correndo em sua direção numa praia. No sonho, Chirlei estava de braços abertos, recebendo a criança que vinha sorrindo e chamando: “mamãe, mamãe”. Hoje, aos 38 anos, ela tem certeza de que aquela menina era a sua filha.
Cecília nasceu prematura no dia 14 de abril de 2025, às 0h14min, pesando 1,985 kg e medindo 44 centímetros. O parto ocorreu em Joinville, em um contexto de uma gravidez repleta de desafios, incertezas e esperanças. Apenas dois dias após o nascimento, Cecília foi submetida a uma cirurgia complicada para corrigir uma hérnia diafragmática, o que destacou a gravidade de sua situação desde o início.
Além da prematuridade, a menina também foi diagnosticada com cardiopatia, mais precisamente a tetralogia de Fallot. A combinação de sua prematuridade, a hérnia diafragmática e a cardiopatia fez com que sua condição fosse considerada crítica desde os primeiros momentos.
Aprendendo a Ser Mãe na UTI Neonatal
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Na UTI neonatal do Hospital Infantil de Joinville, Chirlei teve que aprender a ser mãe em um ambiente desafiador, cercada por monitores, equipamentos médicos e boletins frequentes sobre a saúde da filha. Com paciência e determinação, ela descobriu como tocar Cecília suavemente e se comunicar com ela por meio de palavras, canções e histórias, mesmo que do outro lado de um vidro.
O primeiro contato físico entre mãe e filha aconteceu aos 20 dias de vida de Cecília. A equipe médica autorizou o momento quando a menina apresentou estabilidade suficiente para sair da incubadora. Durante uma hora e dez minutos, mãe e filha compartilharam um contato pele a pele, em um método conhecido como canguru. Para Chirlei, esse instante foi mágico e transformador: as duas respiravam juntas e sentiam os batimentos um do outro.
Os pequenos gestos, que para muitos poderiam passar despercebidos, tornaram-se grandes conquistas. Por exemplo, a primeira fralda trocada por Chirlei só aconteceu após 72 dias de internação. O choro de Cecília, que hoje é silenciado devido à traqueostomia, foi ouvido por apenas um breve período. O primeiro contato com a luz do sol ocorreu meses depois, quando a equipe médica conseguiu levar a menina até uma janela do hospital. “Ela me ensinou a valorizar as pequenas coisas da vida”, reflete Chirlei.
Desafios e Superações
A jornada de Cecília, no entanto, também foi marcada por momentos de dor intensa. Ela enfrentou infecções hospitalares, pneumonia bacteriana, convulsões e até uma parada cardíaca de três minutos. Em um dos episódios mais preocupantes, os profissionais de saúde reuniram Chirlei para uma conversa delicada. Segurando suas mãos, afirmaram que tanto a mãe quanto a filha eram verdadeiras guerreiras. “Duas leoas”, disseram.
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Chirlei, diante da gravidade da situação, se viu em um mar de insegurança. As palavras dos médicos foram duras: Cecília lidava com três condições graves, o que a tornava uma paciente de alto risco. Em um momento de desespero, cita que desceu à rua sem saber para onde ir, dominada por uma dor insuportável. Nesse instante, um desconhecido parou e lhe disse: “Deus te ama”, uma mensagem que Chirlei considerou um sinal do divino.
A partir desse momento, ela se comprometeu a transformar seu medo em esperança. Sempre que recebia notícias desafiadoras, respondia aos médicos com a frase: “Nós temos muita fé”. Essa fé não era só dela; pessoas de diversas partes do Brasil e do exterior começaram a acompanhar a história de Cecília, enviando mensagens, cartas e presentes, fortalecendo a corrente de amor que cercava a menina.
A Vitória da Vida
Após quase oito meses de internação, dos quais três foram na UTI neonatal, Chirlei se preparava para levar Cecília para casa. Ela aprendeu a realizar cuidados especializados e, com humor, brinca que se tornou uma espécie de enfermeira, fisioterapeuta e fonoaudióloga, mas, acima de tudo, uma mãe dedicada.
Recentemente, Cecília completou um ano. Em casa, ela ainda enfrenta algumas restrições e sai apenas para consultas médicas. Em fevereiro, passou por uma cirurgia cardíaca. Atualmente, usa traqueostomia e gastrostomia, está em processo de desmame da ventilação mecânica e realiza fisioterapia para fortalecer seu corpo. Cada pequena conquista é celebrada como uma grande vitória.
No lar, Cecília espalha alegria com seus sorrisos, piscadinhas e brincadeiras, encantando todos ao seu redor. Para Chirlei, o sorriso da filha é um bálsamo para a alma. “Ela me ensinou a valorizar cada aspecto da vida. Um sorriso, um olhar, um respiro… tudo ganha um novo significado. Quando sorrimos uma para a outra, parece que nossas almas se abraçam. Ela é uma leoa e transformou completamente a minha vida”, afirma Chirlei.
Um Dia das Mães Especial
Neste Dia das Mães, a celebração ganha um novo sentido. No ano passado, mãe e filha estavam na UTI neonatal, onde Chirlei acompanhava cada batimento da filha com apreensão, mas também com gratidão pela vida. Agora, o presente é a possibilidade de estarem juntas em casa.
A recepção calorosa que tiveram ao retornar foi emocionante, repleta de cartazes, balões e mensagens de amor. Para Chirlei, isso reafirma que mãe e filha nunca estiveram sozinhas nessa jornada. Ela sonha com um futuro longo, saudável e feliz para Cecília, construindo esse caminho com amor, fé e a força de duas leoas.
