Drones catarinenses em destaque no setor de defesa
Quatro drones de ataque criados por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Joinville, passaram por testes conduzidos pelo Exército Brasileiro. Os equipamentos, desenvolvidos pela startup Vultis Industries, foram selecionados em uma lista de pré-classificação que poderá levar à compra ou desenvolvimento futuro pelas forças armadas. O processo, divulgado em julho no Diário Oficial da União, visa avaliar sistemas que atendam às necessidades militares na categoria de drones de ataque, embora a seleção atual não implique aquisição imediata.
Características e inovação dos drones URUBU-X
A Vultis Industries, liderada por cinco sócios estudantes de Engenharia Aeroespacial na UFSC Joinville, apresentou quatro modelos entre os pré-qualificados. Dois são lançadores de munição e outros dois configurados como drones kamikaze, que se destinam a atingir o alvo e são destruídos junto dele. Todos os drones selecionados pertencem à família URUBU-X e contam com tecnologias próprias em aviônica, software embarcado e estações de controle. As variantes 10B e 15B são voltadas para bombardeio, enquanto as 10K e 15K atuam em efeito terminal kamikaze, com asas rotativas e dimensões compactas de 10 e 15 polegadas.
Projetados para serem produzidos em escala, esses equipamentos oferecem baixo custo unitário e são pensados para operações táticas de curto alcance, o que atende demandas específicas do uso militar moderno. A Vultis reforça seu foco em soluções que combinam eficiência e custo-benefício para o mercado de defesa nacional.
Origem e reconhecimento da startup catarinense
A Vultis Industries surgiu em março, no Ágora Tech Park em Joinville, motivada pela constatação da dependência brasileira de equipamentos importados em um setor estratégico. A inspiração veio após uma viagem de um dos sócios para a Alemanha, onde percebeu a necessidade urgente de desenvolvimento local para drones militares. Desde então, a empresa tem investido no aprimoramento de plataformas dual use, que servem tanto para fins militares quanto civis.
Em maio, durante a SC ExpoDefense 2026, a startup apresentou seus sistemas e estreitou contato com as três Forças Armadas brasileiras e órgãos de defesa. A visita da Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro, liderada pelo General Vasconcellos, destacou o reconhecimento oficial do potencial tecnológico da Vultis e a possibilidade de parcerias futuras.
Próximos passos e impacto na indústria nacional
Com planos para ampliar a estrutura produtiva, a Vultis está em processo de captação de recursos para industrializar componentes críticos, aprimorar o software embarcado e desenvolver novas plataformas. A visão da empresa é clara: o Brasil deve aprender a produzir seus próprios drones para reduzir a dependência de fornecedores internacionais, principalmente diante da crescente demanda global por soluções de defesa.
Guilherme Martins, um dos sócios, destaca que a vantagem da startup está na agilidade para prototipagem e no desenvolvimento de sistemas eficazes a baixo custo. Essa abordagem pode abrir espaço para que a Vultis ocupe um nicho estratégico antes que o mercado brasileiro seja dominado por produtos importados, especialmente da China, que lidera atualmente esse segmento.
O avanço desses drones representa não só um marco tecnológico para Joinville e Santa Catarina, mas também uma mudança concreta na forma como a indústria de defesa nacional poderá se fortalecer, trazendo impactos diretos para a economia, a segurança e a inovação local.
