De incubadora a polo tecnológico de destaque
Entre 10 de novembro de 2008 e 27 de agosto de 2026, o portal De Olho na Ilha publicou 1.306 matérias que mencionam a ACATE, Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia. Essa extensa cobertura não apenas registra dados, mas acompanha a evolução de uma entidade que, ao longo de quase duas décadas, transformou o cenário tecnológico de Santa Catarina e, em especial, de Florianópolis.
No início, a ACATE atuava principalmente como gestora de incubadoras e articuladora empresarial. Com o tempo, expandiu sua atuação para infraestrutura, financiamento e políticas públicas. Recentemente, a associação se consolidou como uma plataforma de inovação aberta, responsável pela formação de talentos e pela internacionalização do setor, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional.
Os primeiros passos e o crescimento do ecossistema
Em novembro de 2008, o MIDI Tecnológico, incubadora mantida pelo Sebrae/SC e gerida pela ACATE, abria inscrições para novos empreendedores. A associação atuava nos bastidores, oferecendo espaço e suporte para projetos nascentes ganharem forma. Florianópolis começava a se destacar não apenas pela qualidade de vida, mas como um polo emergente de inovação, com empreendedores, incubadoras e empresas buscando crescer sem deixar suas raízes locais.
Já em 2009, a presença da ACATE se estendeu além da capital, com mais de 250 empresas associadas distribuídas por várias regiões do estado, como Joinville, Blumenau e Criciúma. A tecnologia deixava de ser uma atividade concentrada e passava a formar uma rede estadual, fortalecendo conexões entre diferentes cidades.
Direção estratégica e reconhecimento público
Em 2010, a ACATE definiu metas claras: qualificar profissionais e internacionalizar o mercado de tecnologia. Também naquele ano, a associação passou a administrar o polo catarinense de games e entretenimento digital, unindo formação profissional e criatividade. O setor tecnológico começava a ser visto não apenas como um segmento econômico, mas como parte da cultura e do trabalho local.
O reconhecimento institucional veio em 2011, com a Assembleia Legislativa homenageando os 25 anos da ACATE. Paralelamente, a associação participava das discussões para a criação da Lei Municipal de Inovação de Florianópolis, sinalizando seu papel ativo na construção de políticas públicas para o desenvolvimento tecnológico.
Infraestrutura, financiamento e articulação política
O ano de 2012 marcou o início da expansão física com recursos do CNPq para ampliar o MIDI Tecnológico, que seria integrado ao Floripa Tec Park, nova sede da ACATE. A aprovação da Lei de Inovação pela Câmara de Vereadores consolidava instrumentos públicos para apoiar iniciativas inovadoras, mostrando que ecossistemas demandam mais que ideias: precisam de leis, espaços, financiamento e colaboração.
Em 2013, a relação entre ACATE, governo e cidade se estreitou ainda mais. Um ex-presidente da associação assumiu a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia e a entidade apresentou o Floripa Tec Park a empresários. Em eventos, instituições financeiras e de fomento discutiam linhas de crédito para inovação, reforçando o papel da ACATE como protagonista na transformação da capital.
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Multiplicação e consolidação do ecossistema
Nos anos seguintes, a ACATE ampliou sua atuação. Em 2014, participou do lançamento de uma linha de crédito para micro, pequenas e médias empresas inovadoras em parceria com ABES, BNDES e BRDE. Em 2015, a associação atuou politicamente contra aumentos na carga tributária do setor, enquanto promovia eventos que aproximavam empresas e empreendedores.
Em 2017, a expansão chegou a São Paulo, sinalizando o desejo de dialogar com outros centros de negócios. Florianópolis passou a ser reconhecida como a cidade brasileira com maior concentração de startups por metro quadrado. Relatórios como o ACATE Tech Report davam números concretos para essa realidade: um ecossistema vibrante e em crescimento constante.
Dados que comprovam a força do setor
Em 2018, o Panorama do Observatório ACATE registrou mais de 47 mil colaboradores, 12,6 mil empresas e um faturamento de R$ 15,5 bilhões no setor tecnológico catarinense. O modelo ultrapassava a incubadora, consolidando-se como uma força econômica relevante para o estado.
Em 2019, a rede cresceu com a chegada do Centro de Inovação em São José e a terceira unidade do LinkLab no Ágora Tech Park. O Startup Summit reuniu milhares de pessoas, transformando Florianópolis em um polo de encontros e negócios para o setor.
Desafios e respostas durante a pandemia
O ano de 2020 trouxe a pandemia, que acelerou transformações digitais. A ACATE respondeu com um Plano de Ação focado nas associadas mais impactadas e iniciativas para conectar profissionais a vagas abertas. Programas como Vai pro digital ajudaram empresas a migrar para o ambiente online, enquanto o LinkLab Reinvent promoveu mentorias e workshops para adaptação à nova realidade.
O CASE Startup Summit, realizado online, reuniu mais de 25 mil pessoas, ampliando o alcance do ecossistema catarinense além das fronteiras físicas.
Formação de talentos e internacionalização
Em 2021, a ACATE destacou-se na formação de desenvolvedores por meio do DEVinHouse, em parceria com o SENAI. Santa Catarina registrou crescimento de 63,2% no número de empresas de tecnologia entre 2015 e 2020. O foco já não era apenas abrir empresas, mas preparar profissionais para sustentar o crescimento futuro.
Em 2022, a associação atuou como ponte entre franquias, startups, instituições financeiras e hubs internacionais, com a meta de fazer o setor tecnológico alcançar 10% do PIB estadual. Um mapeamento das startups associadas ajudava a entender necessidades e estágios dos negócios.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Reconhecimento e expansão contínua
Ao completar 37 anos em 2023, a ACATE ampliou sua presença internacional, participando de eventos como o Web Summit. O MIDITEC, herdeiro do MIDI Tecnológico, figurava entre as cinco melhores metodologias de incubação do mundo. O Startup Summit projetava impactar 40 mil pessoas, enquanto a associação contribuiu para debates nacionais sobre a Reforma Tributária.
Em 2024, novas frentes surgiram com discussões sobre govtechs, programas de aceleração com o BRDE e missões tecnológicas internacionais. A ACATE recebeu novamente o título de Hub de Tecnologia do Ano no Startup Awards, confirmando seu papel central no ecossistema.
Consolidação e reconhecimento global
Em 2025, o lançamento do BRDE Labs SC apoiou 155 startups e promoveu inovação aberta em escala nacional. Programas de formação alcançaram mais de 50 mil pessoas, e a associação participou do lançamento de uma Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança. Em Paris, a ACATE recebeu o Startup Ecosystem Stars 2025, destacando seu modelo colaborativo entre empresas, governos, universidades e investidores.
Em 2026, ano do 40º aniversário, a associação foi homenageada pela Assembleia Legislativa e estreitou parcerias com a FIESC. Florianópolis aparece entre os 20 principais ecossistemas de startups da América Latina, com 45,6 mil empregos formais em tecnologia. Novos acordos ligam Santa Catarina a centros de negócios internacionais, ampliando o alcance do setor.
Impacto social e futuro aberto
Além dos números, a ACATE protagoniza iniciativas que conectam tecnologia e responsabilidade social. Em agosto de 2026, estudantes do Instituto Estadual de Educação visitaram a associação para debater inteligência artificial e ética, enquanto o Startup Summit reuniu mais de 10 mil participantes presenciais. Essa dualidade entre escala e reflexão marca a trajetória da ACATE.
O Observatório ACATE 2026 confirma um crescimento contínuo: 102,2 mil empregos formais em tecnologia, participação de 8,53% dos trabalhadores tecnológicos do Brasil e um faturamento de R$ 47,9 bilhões, representando 8% do PIB estadual. Santa Catarina não apenas construiu um ecossistema de inovação, mas se consolidou como um dos principais polos tecnológicos do país.
Ao longo dessa jornada, a ACATE se tornou mais que uma entidade: é uma praça onde diferentes atores se encontram, colaboram e constroem juntos o futuro da tecnologia em Santa Catarina. A história continua aberta, com desafios e oportunidades que refletem o impacto real da inovação no cotidiano, na economia e na sociedade.
