Polícia interrompe rotina em empresa de tecnologia durante operação em Santa Catarina
Na manhã desta quinta-feira (9), funcionários da Pública Tecnologia, empresa de Tecnologia da Informação localizada no bairro Itoupava Seca, em Blumenau, foram surpreendidos pela presença da polícia ao chegarem para o trabalho. Agentes orientaram que todos voltassem para casa, interrompendo o expediente de mais de 30 anos da empresa. O motivo da ação é uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) que apura um esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo prefeituras e câmaras municipais de Santa Catarina.
Mandados de busca e apreensão em múltiplas cidades
Embora os detalhes dos documentos permaneçam sob sigilo, fontes ligadas ao caso informaram que foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão na sede da empresa e nas residências dos investigados em diversas cidades catarinenses, como Blumenau, Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani. Entre os suspeitos estão um prefeito do Oeste, uma servidora pública do Litoral Norte e um ex-vice-prefeito do Planalto Norte.
Os contratos sob suspeita abrangem ao menos 13 municípios, envolvendo licitações com prefeituras e câmaras municipais. Com o avanço das apurações, o Ministério Público solicitou à Justiça medidas que resultaram na autorização dos mandados executados nesta operação.
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Detalhes da Operação Gaiola Digital
Batizada como “Gaiola Digital”, a operação é coordenada pelo Gaeco e pelo Grupo Especial Anticorrupção (Geac). A investigação tem origem na mesma delação premiada que culminou na Operação Mensageiro. Segundo as apurações, agentes públicos e o núcleo empresarial teriam arquitetado um esquema para direcionar licitações, facilitando a contratação de sistemas de gestão pública por uma empresa previamente escolhida.
O método consistia na elaboração e influência sobre editais, de modo a favorecer a vencedora predeterminada, em troca do pagamento de propinas.
Estruturação do esquema e movimentação financeira suspeita
As investigações revelam uma organização estruturada, com divisão clara de tarefas: desde a articulação com agentes públicos até a operacionalização de pagamentos ilícitos e movimentações financeiras destinadas a ocultar a origem e o destino dos recursos. Foram identificados indícios de lavagem de dinheiro, envolvendo saques fracionados e operações financeiras para formar um caixa clandestino usado no pagamento das propinas.
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Fonte: ctbanews.com.br
No período investigado, entre 2022 e 2026, centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial comum foram detectadas, totalizando milhões de reais.
Próximos passos da investigação
O Ministério Público segue aprofundando as investigações para esclarecer todos os envolvidos e mecanismos do esquema. A operação Gaiola Digital mostra como a tecnologia, quando utilizada de forma indevida, pode ser instrumento para práticas ilícitas que comprometem a gestão pública.
