O Caminho Silencioso do Teatro de Bonecos
Antes de ser apresentado ao público, um espetáculo de teatro de bonecos passa por um cuidadoso e artesanal processo criativo. Com raízes na tradição alemã, essa forma de arte é fortemente representada pelo Kasperltheater, ou teatro do Kasperl, cuja influência foi trazida ao Brasil, especialmente para o estado de Santa Catarina por imigrantes. A nova produção “Kasperl e o pão que o diabo amassou”, da Cia. Alma Livre, ilustra bem essa jornada que começou há mais de dez anos e envolveu intensas pesquisas, oficinas e reformulações. Depois de um longo caminho, o espetáculo agora está pronto para encantar o público em 12 cidades catarinenses, com 15 apresentações programadas entre maio e agosto.
No dia 9 de maio, Jaraguá do Sul será uma das paradas da turnê, recebendo o espetáculo no SESC. Confira a agenda completa das apresentações:
Agenda Completa das Apresentações
Maio:
- 7/05, 15h (qui) – Itajaí / Sala Bull na Univali
- 9/05, 15h (sáb) – Jaraguá / SESC
- 22/05, 19h (sex) – Blumenau / Sala S-113 FURB
- 24/05, 15h (dom) – Jaraguá / SCAR
- 28/05, 15h (qui) – Floripa / Teatro Carmen Fossari (FITA)
- 29/05, 15h (sex) – Criciúma / CEU ou Fund. Cultural
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Fonte: agazetadorio.com.br
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Junho:
- 5/06, 19h (sex) – Joinville / Teatro AJOTE
- 6/06, 15h (sab) – Pomerode / Clube Pomerode
- 7/06, 15h (dom) – Jaraguá / Salão Barg
- 14/06, 15h (dom) – Rio do Sul / Teatro Embaixo da Ponte
- 18/06, 10h (quin) – Schroeder / Escola Emilio da Silva
- 20/06, 19h30 (sab) – Jaraguá / Igreja Luterana Barra
- 25/06, 10h (quin) – Corupá / Escola Teresa Ramos
Agosto:
- 7/08, 19h (sex) – Chapecó / SESC
- 8/08, 15h (sab) – Lages / SESC
A Influência de Mery Petty e o Resgate Cultural
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Fonte: triangulodeminas.com.br
A trajetória da Cia. Alma Livre é marcada pela dedicação de Mery Petty, atriz e bonequeira que coordena o grupo, sediado em Jaraguá do Sul. Desde pequena, Mery teve sua vida influenciada pelas performances da bonequeira Móin-Móin, uma imigrante alemã que se tornou uma referência para o teatro de bonecos em Santa Catarina. Mery recorda com carinho das apresentações que assistia e, anos depois, teve a oportunidade de resgatar parte da coleção original de bonecos da Móin-Móin, que agora se encontra preservada no Museu Emílio da Silva, na mesma cidade.
“Ganhei os bonecos da neta da Móin-Móin e quis que eles estivessem em um lugar onde pudessem ser apreciados”, diz Mery, ressaltando a importância de preservar a história do teatro de bonecos.
Uma Nova Linguagem e Personagens Criados com Carinho
Um dos pilares para a criação do novo espetáculo foi um livro de Gustav Resatz, de 1944, que Mery considera fundamental para o entendimento do teatro de Kasperl. “A obra, escrita em alemão, exigiu uma tradução e continha textos como ‘O saco de farinha do rei’, além do perfil psicológico dos personagens”, explica. Com base nesses elementos, Mery criou uma nova coleção de bonecos, totalizando 17 personagens em papel machê, cada um com características distintas.
Embora nem todos os bonecos estejam em cena, eles foram desenvolvidos ao longo dos anos e adaptados conforme as necessidades da montagem. Para “Kasperl e o pão que o diabo amassou”, aproximadamente dez personagens foram escolhidos para integrar a nova versão, refletindo as mudanças narrativas e a inclusão de novas figuras.
Desafios e Criatividade nos Bastidores
O processo de encenação também envolveu novas escolhas. A construção do palco empanada, tradicional do teatro de bonecos, foi realizada pela equipe, que se dedicou a criar um ambiente que dialoga com a narrativa. Mery destaca que “cada pequeno detalhe, como a instalação de uma cortina, envolve um cuidado artesanal, refletindo a importância do acabamento e dos materiais adequados”.
Além disso, o trabalho em equipe é crucial. A trilha sonora foi elaborada utilizando sons e efeitos de materiais reciclados, tornando-se parte integrante da narrativa. “O som não é apenas um fundo; ele participa ativamente da história e do ritmo”, afirma Mery.
Financiamento e Caminho até o Palco
A montagem levou anos para ser concretizada, principalmente devido às dificuldades para obter financiamento. Agora, o projeto se torna realidade com o apoio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC) do Governo do Estado de Santa Catarina, aprovado pela Fundação Catarinense de Cultura e com o incentivo de empresas locais. Esse suporte é fundamental para que o espetáculo circule por diversas cidades, levando a magia do teatro de bonecos a um público cada vez mais amplo.
